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Estado de Flow

No início do mês de janeiro, fiz um post em minhas redes pessoais sobre o Estado de Flow. Estávamos iniciando o #janeirobranco, mês dedicado a campanha que promove a atenção à saúde, às nossas condições pessoais subjetivas e objetivas. Campanha que também promove a importância do bem-estar no trabalho.  
Grande parte da nossa realização pessoal e de nosso bem-estar, é resultado do que escolhemos para constituir nossa expressão pessoal e do impulso que nos orienta para agir no sentido mergulhar em busca nossos objetivos.
Cada um de nós possui este impulso, alguns em maior grau, outros em menor. Este impulso contribui para nossa busca pessoal de desenvolvimento de competências e de melhoria do nosso desempenho no que fazemos, seja no trabalho ou nas conquistas da vida pessoal. Interessante vermos como tem aumentado a quantidade de pessoas auto motivadas ao empreendedorismo, a mergulhar de cabeça na busca de realização de seus sonhos.      
Quando este impulso interno nos leva a uma dedicação total em determina atividade, e tudo ocorre com total fluidez, atingimos alto estado de concentração: “Estado de Fluxo ( Flow)”.
Este alto estado de concentração, é um tema que vem sendo objeto de estudo de cientistas, psicólogos, médicos e filósofos. O Estado de Fluxo, tomou destaque com trabalho do Psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, autor de Flow: The Psychology of Optimal Experience
Os pesquisados respondiam usando a metáfora de uma corrente de água que os transportava para tentar explicar como se sentiam ao atingirem um estado de alta concentração e produtividade.  
Embora o Estado de Fluxo, pode ocorrer em diferentes momentos, sem que nos apercebamos:

  • No estudo ou no hábito da leitura.
Amantes da leitura, muitas vezes ficam absortos com determinado livro, artigo, ou estudando um tema de interesse.
A leitura, tem a capacidade de transformar as horas do dia em momentos agradáveis, fazer a mente viajar na vida de personagens, desenvolver a criatividades ou fixar a atenção em um assunto de interesse e aprendizado.  
O hábito da leitura é um dos meios através dos quais adquirimos conhecimento e cultura, que podem a ser acessados em nossas mentes, para nos auxiliarem em situações de nossas vidas pessoais e profissionais, quando necessário. Os grandes empreendedores costumam ser também, grandes leitores.
  • Nas artes, seja pintando, desenhando, compondo músicas.
As pessoas florescem à medida que exercitam suas capacidades criativas. A expressão artística dos pensamentos, emoções, ideias e opiniões permite o auto-conhecimento e crescimento pessoal fundamental para o nosso bem-estar.
No seu livro The Science and Psychology of Music Performance, Richard Parncutt e Gary McPherson, relatam, baseados em suas pesquisas, que músicos, especialmente solistas de improvisação, podem experimentar um estado de fluxo enquanto tocam seu instrumento [1].
Os que apreciam Jazz, sabem bem como funciona. Quem ainda não teve a oportunidade de se deixar fluir assistindo uma Sessão Jazz Jam, onde músicos tocam solos improvisados harmonizados criando acordes complementares, está perdendo a oportunidade de assistir um excelente exemplo de co-criação, onde tudo flui com total naturalidade.
  • Nos esportes, seja assistindo um jogo ou concentrado em treinos.
O Estado de Fluxo está associado à conquista. Quantos não ficam ligados em jogos eletrônicos por horas e perdem a percepção do tempo? Quem não “para tudo” para se concentrar nas jogadas de seu time favorito em uma final do campeonato?
Para competir, o atleta deve estar preparado física, técnica, tática e psicologicamente para se destacar entre aqueles que praticam determinada modalidade esportiva. Esta motivação à conquista. O treino e a concentração podem leva-los ao Estado de Fluxo com implicações concretas no aumento da satisfação na prática de esportes.
  • No trabalho
Será que podemos encontrar o Estado de Fluxo, no trabalho? Muitos acreditam que resposta é sim!
Pense no time do qual você participou que atingia metas, possuía alto desempenho, trabalhava harmonizado, superava desafios e perdia a noção do tempo na conquista da conclusão de um projeto?   Onde a co-criação, fluía como em uma Sessão Jazz Jam! Onde um integrante do time era capaz de complementar o raciocínio lógico do outro.
Pense naquele momento em que você se deu conta que estava em sua capacidade plena. Nada era estressante! Nada era entediante! Tudo era motivador e a mente e as mãos produziam em harmonia e velocidade ideal. As soluções vinham à mente sem esforço. Não haviam ruídos no ambiente e o tempo só passava fora do local onde você estava.
Andrew J. Elliot, Carol S. Dweck , em seu Handbook of Competence and Motivation, postula três condições que precisam ser atendidas para alcançar um estado de fluxo [2]:
  • É preciso estar envolvido em uma atividade com um conjunto claro de metas e progresso. Isso adiciona direção e estrutura à tarefa.
  • A tarefa em questão deve ter um feedback claro e imediato. Isso ajuda a pessoa a negociar qualquer demanda em mudança e permite que ela ajuste seu desempenho para manter o estado do fluxo.
  • É preciso ter um bom equilíbrio entre os desafios percebidos da tarefa em questão e suas próprias habilidades percebidas. É preciso ter confiança na capacidade de concluir a tarefa em questão.
Se temos em nosso ambiente de trabalho, uma atmosfera de respeito e confiança que permita o alcance do Estado de Fluxo, podemos encontrar a felicidade no trabalho.

Elizabeth Borges, PMP
Sócia-Diretora Aleia

Referencias:
Parncutt, Richard & McPherson, Gary E. (2002), The Science & Psychology of Music Performance: Creative Strategies for Teaching and Learning Book, Oxford University Press US, p. 119, ISBN 978-0-19-513810-8, retrieved 2009-02-07

Csikszentmihályi, M.; Abuhamdeh, S. & Nakamura, J. (2005), "Flow", in Elliot, A. (ed.), Handbook of Competence and Motivation, New York: The Guilford Press, pp. 598–698

Mihaly Csikszentmihalyi,  Flow: The Psychology of Optimal Experience, ISBN-13: 978-0061339202, ISBN-10: 0061339202

Andrew J. Elliot, Carol S. Dweck , Handbook of Competence and Motivation

 
 
[1] Parncutt, Richard & McPherson, Gary E. (2002), The Science & Psychology of Music Performance: Creative Strategies for Teaching and Learning Book, Oxford University Press US, p. 119, ISBN 978-0-19-513810-8, retrieved 2009-02-07
[2]   Csikszentmihályi, M.; Abuhamdeh, S. & Nakamura, J. (2005), "Flow", in Elliot, A. (ed.), Handbook of Competence and Motivation, New York: The Guilford Press, pp. 598–698